“Manual do Roteirista de Eventos” chama a atenção dos profissionais de marketing
Por Ângelo Cláudio
Enquanto o público acompanha palestras, premiações, convenções e lançamentos empresariais, existe um profissional responsável por organizar aquilo que acontece no palco: das falas dos apresentadores às transições entre cada momento. É o roteirista de eventos, especialização que aproxima escrita, publicidade, produção e estratégia de marca. É o profissional que planeja o coração de uma experiência.
Essa atividade é o tema do livro “Manual do Roteirista de Eventos” de Bogado Lins, profissional com mais de 15 anos de carreira e participação em mais de 300 eventos. Seu portfólio inclui trabalhos para empresas como Bradesco, BASF, PepsiCo, Cartoon Network, Mars e Gerdau.
O livro apresenta o funcionamento desse mercado e explica como desenvolver roteiros para eventos presenciais, online e híbridos. Entre os assuntos abordados estão técnicas narrativas, construção de textos, recursos de engajamento, modelos de roteiro, desenvolvimento profissional.
A proposta chama atenção porque trata o evento corporativo como uma experiência narrativa. Mesmo quando não há personagens ou uma trama convencional, existe uma sequência que precisa conduzir o público: abertura, apresentação de ideias, mudanças de ritmo, entradas de convidados, vídeos, pausas e encerramento. Se essas partes não conversam entre si, o evento pode se transformar em uma sucessão cansativa de discursos.
Para escritores, sobretudo iniciantes e independentes, essa especialização apresenta uma possibilidade concreta de atuação fora dos caminhos mais conhecidos do mercado editorial. Quem domina estrutura, ritmo, voz e adaptação de linguagem já possui parte das competências necessárias. A diferença está em escrever para uma situação ao vivo, condicionada pelo tempo, pela identidade da empresa e pelas exigências técnicas da produção.
Também é um campo que pede desprendimento. O roteirista dificilmente terá a mesma liberdade de um autor de ficção. O texto passa por clientes, agências, produtores, executivos e apresentadores, podendo sofrer alterações até pouco antes do evento. É preciso aceitar revisões, compreender objetivos comerciais e escrever para que outra pessoa fale com naturalidade.
A inteligência artificial, incluída entre os temas do livro, pode ajudar na organização de ideias, na criação de versões e em tarefas repetitivas. Seu uso, porém, exige cuidado com informações confidenciais das empresas e com textos excessivamente padronizados. Em eventos, uma frase artificial se torna ainda mais evidente quando é pronunciada diante de uma plateia.
Ao revelar os métodos de uma atividade pouco discutida, Bogado Lins aponta uma direção útil: escritores podem encontrar trabalho onde houver necessidade de organizar ideias, construir atenção e transformar informação em experiência.
